Uma humanidade sempre manifestou a ânsia de descobrir entre os homens comuns aqueles que de alguma forma se elevam acima do banal, do ordinário, da própria condição humana e possuem alguma aura mística. Ou o homem está sempre em busca de uma compreensão que lhe permita chegar a um conhecimento instintivo que o proteja para, ao final, ter alguma pista efetivamente palpável de quanto alcançar ou assim buscou o autoconhecimento, Alice para que ele erige as forças que mantenha sua alma segura da vileza do mundo. Essa primeira etapa, delinquente e quebrada, é apenas uma breve esperança para o homem passar para uma fase mais importante, que visa a sua autoafirmação em si mesmo. A sensação de fracasso é, sem dúvida, a parte mais corrosiva para o espírito da criatura humana, pedante e cheia de suas misérias incuráveis. Propor um desafio e abortar a missão, por mais urgente que seja pela resistência, fé na covardia, ou exatamente o oposto que a vida, em suma, representa. Ness momentos de arrebatadora fraqueza, quase absoluta, salva-nos justamente na consciência de que existem aqueles propósitos para nós tão vitais que, por mais que quiséssemos, nunca poderíamos deixá-los cochilando num escaninho da mente: acabariam por ser matéria de algum jeito.

Você está ferido por seus sonhos, e talvez isso se deva à sua grande qualidade. Superar tragédias pessoais é, em muitos casos, mais uma questão de pragmatismo do que de vontade propriamente dita. É preciso passar por cima desses sentimentos, tão destrutivos quanto resistentes, que sobrecarregam os próximos passos que podemos dar, que temos que dar para que a vida volte a adquirir sua dimensão nobre, uma decisão complexa, mais transformadora . Uma vez que você opta por virar a página, com todo o trabalho árduo que pode existir, a vida abre espaço para que a experiência aconteça, talvez não tantas, mas com outra carga de drama, outros núcleos, pelo menos para quem conhece conteúdo ser simples mortais. Os heróis, por sua vez, obedecem a outra lógica, até (ou principalmente) isso: essa é apenas uma das impressões a serem tiradas de “Bala Perdida 2” (2022), sequência do melhor thriller do francês Guillaume Pierret e continuação de uma história de procurar reparação e muito, muito ressentimento.

Pierret volta à narrativa, sem a ajuda de uma nenhuma imagem, transportando o espectador para os últimos episódios do primeiro filme, de 2020, quando assiste na redenção de Lino, ou mecânico de habilidades especiais interpretado com o devido vigor por Alban Lenoir . Nenhum roteiro, escrito mais quatro pelo diretor e seu ator principal, deixa claro que eles passam na medida em que pesamos mais na elaboração de um e de outro, por exemplo os jantares em que Lino aparece quebrado no hospital, ainda convalescendo dois passos do envolvimento introdutório e recebendo a solidariedade de Julia, pesquisadora vivenciada por Stéfi Celma, — para isso, a relação dois-dois continua irritantemente difusa, turva, nunca podendo arriscar com convicção um possível romance —, assassinada por Pierret . Quando o antimocinho surge resplandecente, seu casaco surrado como o ditado "Orgulhoso de morrer" em inglês, meio truncado, dando três vezes quatro semanas ele se cansa, podemos saber que ele ou o próprio Lenoir está levantando uma bola de seu personagem, muito acima a linha do horizonte, aliás. Isso é, claro, o calcanhar de Aquiles de “Stray Bullet 2”: as cenas de tiro, confrontos físicos e perseguições, atiram ou público num limbo semântico, o mesmo que assistu, nessa e gostou do primeiro filme. A tal ponto que é necessário parar por um momento, pegar um longo livro e recapitular sobre a justificativa de tudo aqui, que Pierret também funcionará em 2020, e se perguntar por que Areski, ou antagonista da história encarnada por Nicolas Duvauchelle , passar tanto tempo imerso aqui.

O argumento da necessidade do segundo filme que se esvai não leva à presença cínica perceptível de Lenoir, que está vestindo ele mesmo a camisa de Lino. Até suportou que chegasse um terço de comprimento, mas acreditava que não seria prudente esticar tanto.


filme: bala perdida 2
Endereço: William Pierre
ano: 2022
Gêneros: Ação/Polícia/Suspense
não um: 8/10


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