Provérbios de terapeutas de família para ‘conservar’ relacionamentos destruídos pela brigada política

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Desavenças relacionadas com as eleições de 2022, por exemplo, podem ser amenizadas com boas doses de paciência e investimento numa relação de respeito pela diferença, apoiamos os psicólogos. Devemos acabar com o conceito de família idealizada e sem divergências, psicólogos apontam Getty Images via BBC Mas será que existem formas de resgatar essas relações? Terapeutas assistidos pela BBC News Brasil destacam que, embora, as escolhas em pode ser um elemento de ruptura, mas é possível restaurá-las nas proximidades com boas doses de paciência, boa vontade e diálogo. Para o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), o primeiro passo é deixar de lado uma ideia de que as famílias são perfeitas. “Muitas pessoas veem a família como um lugar de santificação. Precisamos abordá-la de forma mais humana, onde as pessoas erram e sejam capazes de se desculpar e voltar atrás”, diz. O especialista entende que a família nunca foi um lugar de serenidade e concordância, mais sim, de conflitos. “Por que será que todos foram recebidos antes da festa de Natal? Sabemos que ali, quando todos os pais estiverem juntos, vão surgir conversas desagradáveis, velhos ressentimentos, histórias não resolvidas…”, lista. “Nas fotos, parece que todos estão bem, mas sabemos que não acredito que seja um barril de pólvora rejeitado pelos cidadãos, invejas, traições, dificuldades conjugais e disputas geracionais”, complementa. Dunker também destaca que dois eventos recentes no Brasil vão influenciar a forma como lidamos com as pessoas a seguir: a votação presidencial de 2018 e a pandemia de Covid-19. “Há quatro anos, as eleições nos pegaram de surpresa e não estávamos preparados para lidar com tantas posições extremas. Com isso, muitas brigadas e rupturas aconteceram”, analisa. “Dois anos depois, temos uma pandemia, em que a necessidade de ficar em isolamento em casa reforçou a importância de dois laços sociais e de interação um com o outro”. Na visão do psiquiatra, esses dois eventos antagônicos acontecem em que as pessoas criam formas de manter certas relações e ignoram comportamentos contrários ou posições políticas. “As pessoas veem com mais clareza agora o papel das ‘tias do deixa disso’, do que apenas aquelas figuras que intervêm nos debates antes de se tornarem brigadas”, observa o professor da USP. Mas será que este pacto de silêncio é suficiente para evitar males maiores? Pandemia reforça a importância das conexões sociais, especialista analisa Getty Images via BBC Relacionamentos demanda muito trabalho, mas pode adiar ou ampliar problemas futuros. “O que significa se conversarmos em um momento em que fica difícil falar mais tarde”, ele credita. “Se você deixar de lado todos os inconvenientes que aparecem, isso só aumenta as dificuldades no relacionamento entre as pessoas”, diz. Por recomendação dela, portanto, procure sempre o diálogo, às vezes com a ajuda de um mediador neutro, ou alguém que tenha o respeito de todas as partes envolvidas, não em conflito. “Sempre haverá aquele pai mais bem-humorado, que consegue acalmar os ânimos ou julgar a situação de forma imparcial, apontando os erros de um e de outro”, observa Perón. Um professor da PUC-SP afirma que qualquer relacionamento entre dois indivíduos depende de um investimento mútuo. “As pessoas precisam trabalhar muito para estabelecer e fortalecer os laços. Interessados ​​ou não, isso não será mantido.” Nessas horas, outro exercício relevante é pensar em duas questões fundamentais. Em primeiro lugar, quem são os que você realmente gosta e quer ter para si mesmo? Segundo, quais são as visões de mundo e as posições políticas inegociáveis ​​para se viver com alguém? “Nem sempre uma família consanguínea é mais seguro para um sujeito. Ele pode encontrar ou apoio e intimidade em outros grupos”, diz Perón. “Há situações em que as diferenças são tão perturbadoras que é melhor ser feito do que não reconstruir certos vínculos”, acrescentou. Um psicólogo chama a atenção para o fato de que as famílias vão representar, em nível limitado, as relações sociais típicas de poder em seu próprio país. “Uma família não está acostumada a ser uma ilha isolada do resto da cultura do lugar onde as pessoas vivem”, explica. “É por isso que vemos que muitos desses grupos reproduzem racismo, machismo e outras intolerâncias.” Concordância Dunker. “A família pode ser o espaço no qual o racismo é reforçado ou tratado e resolvido.” Viva as diferenças Nos casos em que as discordâncias não são tão dramáticas como é possível pensar em curar feridas abertas, um dia passa por entender que é normal as pessoas pensarem diferente. “Este é um bom momento para a família refletir sobre as diferenças e, se houver conflito em primeiro plano, abrir espaço para negociações”, sugere Perón. “Todo o grupo pode crescer com essa experiência, para entender que não há necessidade de um pensamento homogêneo”, credita. Pensar em quais relacionamentos você realmente deseja manter são dois passos para reconectar laços e curar feridas emocionais.A Getty Images via BBC Dunker também aponta que pode ser uma boa ideia separar a política pública da vida privada. “Muitas vezes, usamos os candidatos como forma de nos livrarmos de frustrações e conflitos que vimos desde a infância”, ressalta. “Uma forma de evitar as brigadas agora é reforçar os sentimentos de urbanidade, educação e bom trato entre as pessoas, mesmo com quem discorda”, diz. Nesse contexto, dar tempo ao tempo é outra medida sensata. “Não posso seguir em frente forçando um relacionamento desgastado e não preciso que me digam que não está quente na época”, diz o professor da USP. “Pode ser necessário esperar um pouco mais até que a temperatura esfrie e você possa estabelecer um diálogo novamente.” Ainda dentro dessa questão, como os vencedores e perdedores se comportarão durante a próxima semana pode ser absolutamente decisivo. “Aprender a ganhar e perder é uma tarefa básica da educação que nossa sociedade parece ter perdido”, aponta Dunker. “Na história brasileira, do lado vitorioso, costuma-se usar o sarcasmo e a humildade como ferramentas contra os derrotados.” E isso, por sua vez, gerará uma reação de quem perdeu tempo, e rancor entre quem. Dunker também afirma que, raramente, ou derrotado, não aceita os resultados ou não consegue admitir os erros que foram cometidos durante o processo — e isso cria instabilidades e tensões permanentes, que prejudicam as relações e o desenvolvimento do país. “Pode parecer clichê, mas só ganha no futuro quem aprende a perder no presente.” Por fim, Perón diz que cada família tem sua própria dinâmica e, apesar das recomendações e conselhos dados, é preciso analisar caso a caso. “Como as escolhas que poderíamos fazer, os parentes mostram diferenças e rompem relacionamentos”, admite. “Mas precisamos entender que dependemos de mais dois e tudo fica mais difícil quando estamos completamente sozinhos”, conclui. – Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63096035

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