Como as escolas alemãs abordam a Segunda Guerra Mundial?

Os alemães que realmente entenderam o que aconteceu na história ainda T vergonha

Um professor alemão, que preferiu não ser identificado, comentou sobre o terceiro Reich, período entre 1933 e 1945 quando Adolf Hitler instaurou o governo Nacional Socialista totalitário na Alemanha e foi responsável pela morte de milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial. Ele afirmou que os alemães que compreenderam o que aconteceu na história ainda sentem vergonha.

Daniel Bratanova, historiador alemão, comentou que desde cedo a educação nas escolas da Alemanha oriental era antifascista, e que em 1968 começou a se falar sobre o tema em todas as escolas do país. No entanto, de acordo com o professor anônimo, a percepção sobre o mal causado pelo nazismo só veio muito depois para uma parcela de alemães que foram afetados pela ideologia do regime de Hitler.

O professor relatou que ouvia histórias de seus pais sobre quando eram crianças na época do Terceiro Reich e sobre a recepção ao ditador quando ele visitava a cidade de seus antepassados. Segundo alguns relatos, havia uma era de euforia sempre que Hitler aparecia, o que era um verdadeiro fenômeno de massa.

Apesar do tema ser bastante delicado e repleto de memórias hostis, os alemães começaram a aprender sobre os impactos do nazismo por volta dos 13 e 15 anos de idade, por meio de aulas introdutórias, filmes, visitas a museus, memoriais, sinagogas e cemitérios judaicos.

70 anos após o fim do nazismo, a Alemanha continua estigmatizada pelo acontecimento em todo o mundo. Peter Hoffman, porta-voz do Museu Casa da História da República Federal da Alemanha, afirmou que, embora a maioria das pessoas hoje não tenha culpa pelos crimes nazistas, elas se sentem de alguma forma responsáveis.

Monumentos históricos têm a função de contribuir para que a memória do nazismo e da Segunda Guerra continue viva, para que o que ocorreu no passado não se repita. Além dos museus e memoriais, há placas douradas no chão em frente às casas onde viviam famílias de judeus, com os nomes, sobrenomes, data de deportação e campo de concentração onde foram mortos.

Uma jovem alemã, estudante de Antropologia, relatou sobre a importância do turismo associado à história mundial em seu país. Ela viajou para a cidade onde sua avó morava com a família na época da República Checa, quando a província pertencia à Alemanha. Lá, sua tia-avó contou sobre o dia em que a cidade esperava por Hitler passar de carro. A estudante comentou que foi difícil perceber que naquela época algumas pessoas acreditavam viver bem.

O orgulho nacionalista é uma das questões mais problematizadas na Alemanha atualmente. A Embaixada da Alemanha publicou um vídeo explicando como a historiografia é abordada entre os alemães, destacando a obrigatoriedade do aprendizado sobre o holocausto em todas as escolas alemãs. A importância do debate e da reflexão crítica nas aulas e no período escolar foi destacada por jovens berlinenses.

Na data internacional da lembrança do holocausto, os cidadãos alemães relembram sobre o episódio que marcou a história mundial. Samuel, sobrevivente do holocausto, ressaltou a importância do dia internacional das Nações Unidas de comemoração das vítimas do holocausto para a transmissão do legado incrível de sobrevivência de seus semelhantes.

Recentemente, o registro da memória do mundo da Unesco publicou uma pesquisa sobre a percepção dos jovens alemães em relação ao regime Nacional Socialista. Os resultados apontam que a nova geração se interessa mais pelo tema do que a anterior, associando o envolvimento na temática com outros problemas atuais, como racismo e discriminação, e demonstrando reflexão crítica sobre os riscos que as democracias podem sofrer na atualidade.

Esses relatos e dados evidenciam a importância do aprendizado sobre o nazismo na Alemanha, destacando a busca pela compreensão e não esquecimento do passado, a fim de evitar que eventos como aquele voltem a acontecer.

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